Uma tragédia mobilizou os moradores de Capanema, no nordeste do Pará, na noite do último sábado. Quatro integrantes da mesma família perderam a vida após um prédio residencial e comercial ser tomado por chamas de grandes proporções. As vítimas são o casal José Ribeiro Soares, de 48 anos, e Charlene Dieli Damaceno de Araújo, de 35, além dos filhos José Pietro, de 10 anos, e Maria Valentina, de 8.
Como o fogo começou e encurralou as vítimas
As chamas tiveram início no piso térreo da edificação de três pavimentos, onde operava um estabelecimento de autopeças e acessórios veiculares. O estoque concentrava materiais altamente combustíveis, como pneus, o que acelerou a propagação do fogo para os andares superiores, onde ficavam os aposentos residenciais da família.
Encurralados em um quarto no terceiro andar, os pais e as crianças tentaram pedir socorro ligando as lanternas de seus aparelhos celulares e emitindo gritos de alerta. Pessoas que passavam pela rua tentaram intervir utilizando uma escada de madeira improvisada, porém o calor intenso e a altura impediram o salvamento comunitário.
Dificuldades no resgate e risco estrutural
Equipes do 19º Grupamento de Bombeiros Militar chegaram ao endereço cerca de vinte minutos após serem acionadas. Contudo, o imóvel não possuía rota de fuga externa nem saída de emergência, e a corporação não dispunha de equipamento no momento para efetuar a retirada das pessoas pela fachada.
A intensidade do calor comprometeu gravemente as paredes e a sustentação do prédio. Por causa da ameaça iminente de desabamento, foi necessária a intervenção de uma retroescavadeira para demolir seções instáveis antes que os agentes pudessem adentrar com segurança e recuperar os restos mortais.
Identificação dos corpos por DNA
Devido ao nível de carbonização das vítimas, o reconhecimento visual tornou-se inviável. Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Castanhal, onde passarão por exames genéticos de DNA. O laudo definitivo e a liberação para o sepultamento devem ocorrer no prazo de até sete dias.
Após a conclusão dos trabalhos de combate às chamas e a etapa de rescaldo — essencial para neutralizar novos focos —, a corporação solicitou perícia técnica oficial, que deve apontar as circunstâncias e a causa original do incidente.

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